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Fundamentos do modelo (S)

Para uma aplicação institucional de médio porte, o SinergIA deve ser aplicado como camada de processo e governança, não como ferramenta operacional. O framework é um modelo de processo e governança para desenvolvimento com uso intensivo de IA, orientado por papéis, artefatos, validações, evidências e controles, sem prescrever qual IA, plataforma ou fornecedor deve ser usado.

Como usar IA, automações, ferramentas de prototipação, codificação, teste, qualidade, segurança e entrega de forma rastreável, validável, proporcional e auditável?

Não se trata de dizer “use Claude Code”, “use Cursor”, “use SonarQube” ou “use Figma”. Trata-se de definir como qualquer ferramenta deve ser usada para que a fábrica de software produza software com especificação clara, decisão registrada, teste planejado, código validado, evidência de qualidade e supervisão humana.

Considera-se uma aplicação institucional de médio porte aquela que possui, em regra:

DimensãoCaracterística esperada
UsuáriosÁrea de negócio definida, com uso interno ou institucional controlado
EscopoVários fluxos funcionais, mas sem complexidade sistêmica extrema
DadosPode tratar dados pessoais comuns; se houver dados sensíveis ou alto risco, o rigor sobe
IntegraçõesIntegrações com sistemas internos, autenticação, APIs ou bases corporativas
CriticidadeImpacto operacional relevante, mas não necessariamente missão crítica
EquipePO/negócio, analista, arquiteto, desenvolvedores, QA, DevOps, segurança e fiscalização
ContrataçãoExecução por fábrica de software, com gestão por OS, sprints, histórias ou entregas

Esse perfil tende ao Modo Essencial, indicado para sistemas internos ou de suporte operacional sem alto risco de dados sensíveis, com preenchimento dos seis pontos de vista conforme aplicabilidade e reforço de GTI e QA quando o contexto exigir.

Se a aplicação envolver dados sensíveis, obrigação legal relevante, impacto crítico, dependência institucional forte ou risco elevado, deve migrar para tratamento próximo ao Modo Completo, com maior rigor nos seis eixos, validações reforçadas, segregação, linter em gates e cobertura de testes definida. Ver Modos de Aplicação para detalhes.

Resultado esperadoComo o SinergIA contribui
Clareza do escopoExige vínculo entre necessidade, histórias, requisitos, critérios de aceite e evidências
Redução de improvisoObriga decisões registradas, artefatos mínimos e validações por ponto de vista
RastreabilidadeLiga necessidade → requisito → decisão → código → teste → entrega → evidência
Uso governado de IAIA pode apoiar especificação, arquitetura, codificação, teste e revisão, mas com supervisão
Qualidade verificávelQA, testes, análise estática e gates passam a gerar evidência objetiva
Segurança e privacidadeControles são tratados desde a especificação, não apenas no fim
AuditoriaCada etapa deixa prova ligada ao artefato, não apenas declaração posterior

Esse desenho segue diretamente os objetivos da Visão Executiva: amarrar entregas a requisitos, evidências e papéis de validação; impor rastreabilidade e validação em múltiplas camadas; e escalar rigor por criticidade.

O SinergIA organiza o framework em seis pontos de vista de aplicação prática: ESP, ARC, QA, IMP, GTI e PDP. Eles cobrem especificação, arquitetura, qualidade, implementação, governança de TI e proteção de dados pessoais. Para a estrutura completa, ver Os 7 Pontos de Vista.

Ponto de vistaAplicação no projetoSaída mínima
ESP — EspecificaçãoLevantar necessidade, regras, histórias, fluxos, critérios de aceite e casos de teste iniciaisBRD/PRD, histórias, critérios de aceite, matriz de requisitos, protótipos, casos de teste derivados
ARC — ArquiteturaDefinir arquitetura, integrações, padrões, dados, autenticação, logs, infraestrutura e decisões técnicasTDD/SDD, ADRs, diagramas, contrato de API, modelo de dados
QA — QualidadeDefinir estratégia de testes, qualidade de código, análise estática, cobertura, critérios de aceite técnicoPlano de QA, testes automatizados, relatórios Sonar, evidência de execução
IMP — ImplementaçãoCodificar conforme especificações, com IA assistida, revisão, branch policy e evidência de vínculoCódigo, PRs, commits rastreados, revisão técnica, evidência de build/teste
GTI — Governança de TIControlar papéis, mudanças, riscos, gates, aceite, evidências e auditoriaRegistro de decisões, matriz de rastreabilidade, checklist de gates, relatório de conformidade
PDP — Proteção de Dados PessoaisAvaliar dados pessoais, bases legais, minimização, retenção, logs, riscos e incidentesInventário de dados, análise LGPD, avaliação de risco, RIPD quando aplicável

Próximo: Fase 0 — Preparação da fábrica e do projeto