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Guardrails e adoção (S)

Este capítulo consolida as regras inegociáveis do modelo (onde a decisão é sempre humana) e propõe um roteiro de adoção para a fábrica que vai operar com IA assistida intensiva.

A regra geral é simples: a IA acelera, propõe, transcreve, gera artefatos. Decisões com impacto regulatório, contratual, arquitetural ou operacional permanecem com humanos competentes.

Esse princípio segue diretamente Supervisão humana obrigatória e Validação em múltiplas camadas.

DecisãoRegra
ConformidadeSe a IA sugerir “podemos relaxar LGPD/LAI porque é MVP”, o Encarregado de Dados + Validador Técnico rejeitam. Conformidade vale desde o Day 1.
RequisitosSe a IA interpretar uma fala de forma ambígua, o Analista valida com o usuário antes de virar requisito. A IA não assume.
ArquiteturaSe a IA propuser microserviços, Kafka ou Kubernetes para um MVP de baixa complexidade, o Arquiteto decide “não, overengineering”.
CódigoToda saída de IA passa por Tech Lead antes do merge. Sem exceção.
Conformidade em códigoPRs com violação crítica (segredo hardcoded, ausência de auditoria, dados pessoais expostos) são bloqueados até decisão explícita.
DeployMesmo com checklist 100% verde, o Tech Lead + Gestor do contrato autorizam o deploy. Registro de quem, quando e qual versão.
Rollback e remediação em produçãoA IA detecta e sugere; SRE/DevOps/Tech Lead decide e executa. A IA não executa rollback sozinha.
Aceite de UATIssues categorizadas pela IA são reclassificadas pelo Validador de Negócio antes de virarem ações.
Decisões automatizadas em produçãoOnde houver decisão automatizada com efeito relevante para o cidadão/usuário, deve haver revisão humana proporcional, conforme Conformidade do framework.
FaseO que a IA pode fazerO que a IA não pode fazer
Fase 0Classificar, pesquisar normas, sugerir stakeholdersContatar usuário, alterar prioridade institucional
Fase 1Transcrever, detectar ambiguidades, atualizar wireframesAprovar requisitos no lugar do usuário
Fase 2Detectar gaps, sugerir critérios, gerar matriz de conformidadePublicar requisitos no backlog sem revisão
Fase 3Gerar SRS, ADR, diagramas, casos de testeAprovar SRS sem revisão de Arquiteto/PO
Fase 4Propor arquitetura, calcular trade-offs, gerar ADR draftDecidir stack ou padrão arquitetural
Fase 5Gerar boilerplate, código, testes, code reviewFazer merge; aprovar PR; alterar regras de pipeline
Fase 6Gerar testes, calcular cobertura, sugerir gapsMarcar requisito como “coberto” sem revisão
Fase 7Mediar UAT, categorizar issues, gerar atasDecidir aceite final ou severidade contratual
Fase 8Monitorar, detectar anomalias, sugerir açõesExecutar rollback ou correção em produção
SituaçãoAção
Prompts/contexto contendo dados pessoais reaisEvitar. Usar dados sintéticos (Faker) e máscaras quando possível.
Transcrição de reuniões com dados pessoaisConfigurar retenção e descarte; verificar base legal do uso
Logs e auditoria de IA em produçãoVersionar prompts, decisões e respostas com retenção compatível com LGPD/LAI
Modelos hospedados externamenteAvaliar implicações de transferência internacional de dados (LGPD)
Dados sensíveisDecisão envolvendo dados sensíveis exige presença obrigatória do Encarregado de Dados

Esta seção complementa o Ponto de Vista PDP e a Conformidade do framework. Em caso de dúvida concreta, consulte o Encarregado de Dados antes de adotar a prática.

AtividadeSaída
Definir ferramentas (IDE, transcrição, observabilidade)Lista aprovada com licenças e responsáveis
Treinar o time em uso disciplinado de IAWorkshop + guia de boas práticas internas
Criar templates (histórias BDD, ADR, SRS, ata)Pasta /templates/ versionada
Configurar pipelines com hooks de IA (review, conformidade)Pipelines de referência reutilizáveis
Definir governança de prompts e toolsPolítica interna publicada e referenciada

Semanas 1+ — Primeira demanda em modelo IA-centric

Seção intitulada “Semanas 1+ — Primeira demanda em modelo IA-centric”
AtividadeSaída
Aplicar Fase 0 (pré-reunião com IA)Documento de contexto aprovado
Conduzir Fase 1 com transcrição e wireframes ao vivoHistórias draft + wireframe v1.0
Refinar requisitos (Fase 2) com matriz de conformidadeBacklog publicado
Medir tempo economizado e desviosPainel inicial de métricas do programa
Iterar a cada sprint reviewLições aprendidas registradas
IndicadorSinal de sucesso
Tempo das fases 1–3Redução de 40–50% em relação ao baseline (sem IA)
Requisitos100% claros antes do dev (zero “idas e vindas” registradas)
Bugs em produçãoRedução de 80% ou mais frente ao baseline
ConformidadeSem violação aberta nas primeiras 3 auditorias internas
SLAAtendido na primeira versão estabilizada
DocumentaçãoSempre sincronizada com o código (auditável a qualquer momento)
Satisfação do timeMedida em retrospectivas; tendência de melhora ao longo das sprints

O Modelo 3 transforma a IA de ferramenta passiva (“dev pergunta, IA responde”) em parceira ativa que:

  1. Antecipa contexto — não espera o pedido para começar a pesquisar.
  2. Participa em tempo real — não opera offline depois do encontro.
  3. Documenta continuamente — não relega documentação para o fim.
  4. Detecta problemas cedo — não espera o bug aparecer em produção.
  5. Respeita supervisão humana — não toma decisões com efeito regulatório, contratual ou operacional.

Para colocar em prática, comece pequeno (uma demanda piloto), meça os ganhos, ajuste os guardrails e expanda. O modelo dá velocidade com responsabilização, não velocidade sem freios.


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